terça-feira, 14 de junho de 2011

PSICANÁLISE

Freud, ao aplicar métodos científicos na área da irracionalidade, lançou os fundamentos da teoria psicanalítica. Nessa linha, ele desenvolveu a teoria geral da dinâmica da personalidade, o estudo da natureza humana no decorrer das várias faixas de idade e a teoria do impacto da sociedade, da cultura e da religião sobre a personalidade. Como conseqüência, a Psicanálise transformou-se de técnica terapeuta em teoria psicológica.

Os conceitos principais da teoria psicanalítica são os de energia, libido e pulsão; as subdivisões da personalidade (id, ego e superego); as qualidades mentais (consciente, pré-consciente e inconsciente); os instintos; as defesas do ego e a formação das características individuais. Quanto às subdivisões da personalidade, o ego pode ser considerado organizador da defesa, o superego é o sistema de interdições, e o id, o pólo pulsional.

Em relação às qualidades mentais, a consciência recebe as informações do mundo exterior e interior; o sistema pré-consciente conjuga os conteúdos que escapam à consciência atual, mas que não são inconscientes no sentido estrito. O inconsciente, por sua vez, é constituído por conteúdos recalcados.

A aplicação da teoria psicanalítica no âmbito organizacional pressupõe a compreensão do que sejam desejos e necessidades. Além disso, deve ser considerada a perspectiva sob a qual as organizações abordam essa teoria. Assim, ao ter como objetivo a adequação do indivíduo a seu meio ambiente, várias técnicas têm sido desenvolvidas nas empresas. Quando a teoria psicanalítica é compreendida em sua origem, tem-se uma aplicação totalmente diferenciada, que se volta para a verdadeira essência psicológica do ser humano e das conseqüências de ignorar-se esse fato.

A teoria psicanalítica traz sua contribuição à compreensão do comportamento dos indivíduos nas organizações, possibilitando a compreensão do desenvolvimento mental do indivíduo enquanto ser desejante, único e individualizado.

Possibilita a identificação de mecanismos exteriores de repressão adotados pelas organizações, que, por sua vez, provocam mecanismos internos de defesa psicológica, explicando, assim, o processo de dominação e de falsificação da consciência. A teoria psicanalítica contribui, ainda, para o conhecimento da perversidade das organizações, ao usarem a sedução (manipulação) e, com ela, a introjeção pelo indivíduo de um ego desejado e delineado pela organização, o qual se torna autoritário e inflexível, ocasionando a distorção das percepções e do pensamento num processo de falsificação da consciência, em que o indivíduo pensa que sente, deseja, se realiza e é feliz, mas, na realidade, não pensa, não sente e não se realiza, seguindo, antes o que a organização objetiva para ele enquanto pensamento, sentimentos e realização de desejos. Ele vive uma farsa, mente para si mesmo e perpetua essa farsa enquanto membro da organização, junto aos demais membros, reproduzindo sua mentira.

Fonte: Psicologia aplicada à administração.

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